O dia em que a Terra parou

Dia 25 de julho é dia do agricultor familiar e dia 28, dia do agricultor. Dá quase pra dizer que julho é o mês dos agricultores! E veja só que ironia, bem num mês no qual as vendas dão aquela estagnada, porque está todo mundo de férias.

E seu agricultor, tira férias?

Sua agricultora, para pra descansar no final de semana?

Desde que iniciamos nossa jornada como urbanos decidindo viver de agricultura passamos a refletir diariamente sobre essas questões. Questões de base, mas que ninguém falou na escola.

Engraçado a criançada sonhar em ser médica para cuidar da saúde do mundo, mas nunca ouvi sonhar em ser agricultor ou agricultora. Quando na verdade cada dia mais sabemos ser muito importante cuidarmos da saúde através dos nossos hábitos diários ao invés de só olhar para ela quando adoecemos. Dependemos de agricultores e agricultoras ao menos 2 vezes por dia, todos os dias da nossa vida, para a atividade que por excelência é a que nos mantém vivos, comer.

Se não tivermos crianças sonhando em ser agricultoras, um dia vamos acabar tendo que nos alimentar só de soja e cana. Parece quase tão ruim quanto uma vida sem abelhas, né?

Fica então a provocação:

Como garantir uma vida digna às agricultoras e agricultores, com direito à viagem, descanso e férias?

Como você acha que você poderia ser parte dessa mudança ?

Vamos falar sobre isso?

Ou vamos esperar a sopa de soja virar nossa ração diária?


Esse ano também foi em Julho, no mês do agricultor, o Dia da Sobrecarga da Terra, em inglês, o "Earth Overshoot Day". E o que isso quer dizer?

Que hoje nós ultrapassamos o limite. Hoje a humanidade esgotou todos os recursos disponíveis para 2019. Nesse ano de 2019, dia 29 de Julho, nós, enquanto humanidade, temos mais demandas por recursos naturais do que a Terra tem capacidade de regenerar para o ano. Ou seja, nós consumimos em 7 meses o que precisaria durar um ano.

Se fossemos náufragos em um barco, perdidos no meio do oceano, já sabem o que isso significaria né?


Todo ano a "Global Footprint Network", uma organização internacional de pesquisa, calcula o dia do ano em que nos tornamos insustentáveis. Inspirados pela temática, nós da Associação Balaiar queremos saber, o que você faz para reduzir sua pegada? Já apoia a agricultura orgânica regenerativa? Tenta não usar plásticos? Parou com os canudinhos?

Comente aqui como você está contribuindo para um mundo melhor! :)


Pra quem tiver interesse e souber ler em inglês, o site da overshoot day é muito bom para saber mais sobre isso! Inclusive para buscar reduzir ainda mais seus impactos! Eles listam diversas soluções possíveis por lá!

E sabem o que eles listam como grande ação no sentido da alimentação?

A redução do desperdício de alimentos.

E você já parou para pensar como apoiar iniciativas que desperdicem menos?

Já parou para pensar que por mais legais que as feiras sejam, elas fazem os agricultores colherem coisas que se não forem vendidas serão descartadas?

Já parou para pensar que agricultores que não tem como saber para quantas pessoas estão produzindo alimento perdem muito alimento em campo?

Já parou para pensar em modelos que evitem isso?

Nós já!

Aqui na Balaiar desenhamos um modelo no qual contamos com pessoas comprometidas com um apoio mensal recorrente, mesmo que as entregas aconteçam toda semana, assim conseguimos planejar uma produção com o menor desperdício possível.

Já quando procuramos soluções com foco no planeta, o overshooting day aponta o caminho de maior efetividade no sentido do reflorestamento de áreas de pasto, a fim de que a biodiversidade do planeta aumente, afinal nossa sobrevivência e qualidade de vida dependem diretamente disso!

Por isso aqui na Balaiar produzimos alimentos em sistema agroflorestal, ou seja, temos árvores plantadas onde antes era só pasto. Além disso a agricultura de agrofloresta ou agricultura sintrópica, busca nutrir o solo de forma natural, de modo que ele esteja cada dia melhor, mais equilibrado, com mais raízes segurando a terra, contribuindo para mais água brotar ao redor, além de mais biodiversidade em todos os sentidos!


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